Música nas escolas

1 nov

Professor e estrutura ainda são desafios para ensino de música

fonte: Sarah Fernandes – Projeto Aprendiz

 

Faltando pouco mais de dois meses para o ensino de música se tornar obrigatório na educação básica, preparar escolas e professores para trabalharem o conteúdo ainda é um desafio. A avaliação é do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), do Senado e de representantes de artistas e professores, ouvidos pelo Portal Aprendiz.

“A licenciatura em artes é voltada para artistas que já têm uma área definida. Quando eles vão dar aulas, a tendência é trabalharem mais a questão plástica”, avalia a presidente do Consed, Yvelise Freitas. “As secretarias devem buscar formas de superar a defasagem com formação e material. Alguns estados podem ter dificuldade, como aconteceu com a inclusão de Espanhol, Sociologia e Filosofia”.

A Lei 11.769, aprovada em agosto de 2008, torna obrigatória a inclusão de música nas aulas de educação artística de ensinos fundamental e médio, da rede pública e particular, a partir de janeiro de 2011. O Artigo 2º, que determinava que a música deveria ser lecionada por professores com formação especifica, foi vetado.

“Exigir professores especialistas tornaria a lei muito difícil de ser cumprida”, avalia o secretário da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Júlio Linhares. “A inclusão de música é uma reivindicação antiga do setor artístico. A lei foi fruto de um debate com a sociedade civil, especialistas e professores e foi dado três anos de prazo para implantação”.

“Existem inúmeros estudos mostrando que a música ajuda no aprendizado de outras matérias”, diz Linhares. “A formação musical permite, ainda, que eles tenham contato com a sua cultura e com a cultura de outros povos e comunidades”.

Artistas

Uma das preocupações dos artistas sobre o ensino de música é não exigir avaliações e notas sobre a disciplina. “A escola é muito prática e racional. A música deve ser um contraponto que trabalhe a subjetividade e a capacidade humana de produzir cultura”, afirma Paulo Tatit, cantor e compositor do grupo Palavra Cantada, que produziu CDs e livros para iniciação musical nas escolas.

“As aulas devem ser em salas sem carteiras, para que as crianças possam brincar e dançar. É preciso disponibilizar instrumentos e incentiva-las a fazer gestos no ritmo”, sugere Tatit. “O ideal, com as crianças pequenas, é começar com canto e percussão e só depois dos 12 anos trabalhar harmonia. Ritmos como Jazz e Bossa Nova devem ser direcionados a alunos com mais de 15 anos”.

Conteúdo

As escolas e as Secretarias de Cultura ficam responsáveis por definirem os conteúdos das aulas de música, dando prioridade para elementos regionais. Foi o que fez o professor Juscelino de Almeida, que leciona para a 4ª série da Escola Municipal Vereador Antônio Sampaio, no bairro paulistano de Santana. Como a escola recebe muitos alunos imigrantes, principalmente de países latinos, ele passou a usar músicas típicas para combater o  preconceito.

“Nós apresentamos as músicas aos alunos e convidamos os pais para ensiná-los a cantar e dançar”, conta o professor. “A partir daí verificamos que os imigrantes estavam mais integrados ao grupo e que os demais alunos estavam interessados em conhecer mais sobre suas culturas. A medida que conhecemos mais sobre o outro respeitamos mais”.

A partir daí o professor passou a incentivar os alunos a fazerem parte da fanfarra e ajudou a criar aulas de flauta doce na escola, sendo que cada aluno recebeu uma, por meio de doações. O professor também abre espaço para que eles ouçam CDs e DVDs em partes das aulas. “Uma vez fomos a uma exposição de arte barroca e eu trouxe um CD de música do estilo para ouvirmos. Eles se interessaram em saber quais os instrumentos que as compunham”.

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