Lançamento do Pato Fu usa sons de brinquedos infantis

21 set

fonte: Folha de São Paulo

Pato Fu usa brinquedos infantis como base instrumental de seu novo CD

MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO

Caixinhas de música, tecladinhos-calculadora, guitarrinhas de plástico, xilofones de latão. Elefantes que apitam, sapos que coaxam, todos os tipos de assobio.

Qualquer brinquedo de que fosse possível tirar algum som minimamente afinado foi usado para compor a base instrumental do novo álbum do Pato Fu, que chega às lojas nesta semana.

Gravado no estúdio caseiro de Jonh Ulhoa e Fernanda Takai, “Música de Brinquedo” é a experiência formal mais radical da banda, já que não usa (quase) nenhum instrumento convencional.

Possíveis exceções ficam para a flauta, o xilofone, a kalimba e a escaleta usados em musicalização infantil.

A maior dificuldade prática na realização da ideia foi afinar todos esses “instrumentos” a ponto de harmonizá-los em um arranjo.

“Não ficou muito afinado, mesmo”, diz Ulhoa, que produziu o disco. “Mas tinha que ser assim. Para ficar completamente certinho, eu teria que usar truques de computador. Seria fácil demais e perderia toda a graça.”

  Nino Andrés/Divulgação  
A banda Pato Fu, com brinquedos usados como instrumentos no CD lançado nesta semana
A banda Pato Fu, com brinquedos usados como instrumentos no CD lançado nesta semana

INTÉRPRETE

Para que a experiência instrumental causasse o efeito esperado, o Pato Fu usou o que Ulhoa chama de “um truque sujo”: apelar para a memória afetiva do ouvinte.

Em vez de canções inéditas, a banda regravou apenas clássicos mundiais, como “Rock and Roll Lullaby” (Barry Mann e Cynthia Weil), “Ska” (Herbert Vianna) e “Todos Estão Surdos” (Roberto e Erasmo Carlos).

“O que causa a comoção e a emoção das pessoas –e a nossa própria– é reconhecer os arranjos originais”, diz Takai. “Por isso, tínhamos que usar músicas que todo mundo soubesse muito de cor.”

Ulhoa foi cuidadoso ao “decalcar” cada detalhe que tornou emblemática a canção original: um solo memorável, uma introdução etc.

O arranjo de cordas da jamesbondiana “Live and Let Die” (Paul e Linda McCartney) foi reproduzido com o som de um elefante plástico.

O solo de guitarra de “Ovelha Negra” (Rita Lee) foi feito com um de xilofone de latão. A abertura épica de “Frevo Mulher” (Zé Ramalho), em pianinho de brinquedo.

“Música de Brinquedo” soaria um disco de gente grande com instrumentos infantis não fosse o coro, feito por Nina Ulhoa, filha de Takai e Ulhoa, e Matheus D’Alessandro, amigo dela da escola –ambos com 6 anos.

“O disco ficaria mais ousado sem as crianças”, diz Ulhoa. “Elas tiram [o disco] do universo pop e colocam no universo infantil. E eu gosto que as coisas que eu faço tenham muitas camadas de entendimento.”

MÚSICA DE BRINQUEDO
ARTISTA: Pato Fu
GRAVADORA: Rotomusic
QUANTO: R$ 29

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