Filhos: Novas idéias sobre educação

14 set
Fonte: Crescer

Um novo jeito de criar os filhos

Você já imaginou que elogiar as crianças pode não ser a melhor forma de ajudá-las a se desenvolver? Ao fazer essa descoberta, dois jornalistas norte-americanos investigaram outros mitos relacionados à infância. O resultado foi Nurture Shock, um livro que traz um novo olhar sobre a educação dos filhos

Simone Tinti

Ilustração Simone Matias

Como você se sentiu quando chegou com seu bebê em casa pela primeira vez? Com certeza, teve um frio na barriga e, insegura, se perguntou: o que eu faço agora? Partindo desse sentimento, os jornalistas Po Bronson (pai de duas crianças) e Ashley Merryman (que não tem filhos) escreveram Nurture Shock: New Thinking About Children, que acaba de ser lançado no Brasil com o título Filhos – Novas ideias sobre educação, pelo selo Lua de Papel, do grupo LeYa.  “Apesar de ‘nurture shock’ ser o termo usado para pais de primeira viagem, pensamos que essa insegurança pode ocorrer com qualquer pai quando se depara com algo para o qual não se sente preparado”, afirmam.

Mais do que escrever um manual, o objetivo dos autores foi reunir pesquisas sobre assuntos que todo pai tem de encarar em algum momento da vida de seu filho. O resultado foi uma obra que mexe com muitas das certezas das famílias. Para você ter uma ideia, a primeira descoberta deles foi como o elogio, em vez dar autoconfiança, acaba deixando a criança com receio de testar coisas novas. A partir dessa constatação, os jornalistas foram atrás de outros estudos e chegaram ao material reunido no livro. Na entrevista por e-mail à CRESCER, eles explicam os principais pontos.

Elogiar pode ter efeito inverso

A pesquisadora Carol Dweck, da Universidade de Stanford (EUA), avaliou o efeito de frases como “você foi muito bem na prova”, “como você é inteligente!” e descobriu que esse tipo de elogio produz um efeito contrário. As crianças passam a acreditar que o sucesso é algo inato – ou elas têm, ou não têm. O melhor a fazer, portanto, é elogiar o processo pelo qual a criança fez determinada coisa. Quando seu filho joga bem futebol, em vez de afirmar ”você é um grande atleta”, é melhor dizer “foi ótimo quando o outro time fez um gol e você não se abalou”, ou “gostei como você driblou aquele jogador”. Assim, a criança vai saber o que fez bem e, então, pensar em como repetir o feito da próxima vez.

Menos stress em família

Um pesquisador perguntou às crianças o que elas mudariam em seus pais. Os adultos esperavam que a resposta fosse “mais tempo”. No entanto, o que elas querem é que os pais estejam menos estressados durante os momentos que passam juntos.

Ser honesto é o mais importante

Ao considerar todas as pesquisas que investigamos, uma coisa se destacou o tempo todo: a importância dos pais serem honestos com seus filhos. É na tentativa de manipular as crianças que surgem os problemas: quando, por exemplo, brigam entre si, mas agem como se estivesse tudo bem na frente dos filhos. É um relacionamento baseado na confiança que sustentará seu filho na medida em que ele cresce.

Esqueça a culpa por não fazer tudo certo

Os pais não devem se sentir obrigados a seguir todo conselho que ouvem. O que precisam é perguntar de onde veio o conselho e qual a evidência que o sustenta: é algo que eu acho importante para educar meu filho? A maioria dos pais está fazendo o melhor que pode e com base no que têm à disposição: tempo, dinheiro, recursos ou know-how.

Coloque o seu filho na cama mais cedo

Os pais precisam considerar o sono dos filhos como questão de saúde. Quando repousa é que o cérebro da criança codifica o que ela aprendeu de dia. Dormir é essencial também para regular as emoções e o metabolismo. Se você não põe seu filho na cama para passar mais tempo com ele, precisa se perguntar: vocês estão interagindo? Ou você só deixou a TV ligada e não está prestando atenção à criança? Se esse for o caso, então ela deve, sim, ir para a cama.

Converse sobre diferenças raciais com as crianças

Elas podem não compreender os aspectos culturais, mas, desde bebês, enxergam diferentes cores de pele, de cabelo e de físico. As mais novas pensam que, se um colega se parece com ela, têm outras coisas em comum e poderão ser amigos – vai acontecer o contrário se for um colega com cor de pele diferente. Pesquisa da Universidade do Colorado (EUA) acompanhou 200 crianças (metade branca e metade negra) e constatou que, aos 3 anos, 86% delas escolheram amigos de sua própria raça. Por isso, é importante explicar ao seu filho que aparência é apenas o que está por fora.

Lembre-se que nem tudo é apenas “bom” ou “ruim”

Se pensarem com base nesses termos, os pais vão cair em estereótipos e perder o principal. Até mesmo um programa educativo que mostra como ser gentil, por exemplo, pode ter um lado negativo (pense em um desenho em que os personagens brigam o tempo todo e reatam só no fim…). Além disso, as próprias crianças também não são inteiramente “boas” ou “más”. Aquela “criança difícil” pode ser legal com os amigos, enquanto aquela vista como a boazinha também pode ter atitudes mesquinhas.

  Divulgação
Filhos – Novas Ideias sobre Educação, foi lançado em maio de 2010 pelo selo Lua de Papel, do grupo LeYa. Po Bronson, 45 anos, é casado e pai de Luke, de 8 anos, e Thia, de 5. A família vive em São Francisco. Ashley Merryman, 41, mora em Los Angeles, onde conduz um programa de atividades para crianças. Juntos, eles escrevem colunas relacionadas à paternidade para as revistas Time e New York

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